domingo, 10 de novembro de 2013

Artigo: "A Musicoterapia na reabilitação em indivíduos com Paralisia Cerebral e com Síndrome de Down"


A música, desde a antiguidade até nossos dias, é reconhecida como meio terapêutico para combater enfermidades. Existem diversas evidências disso nas tradições do povo egípcio, nos relatos de vários grandes filósofos, entre eles, Pitágoras, Platão, Aristóteles; nos pajés e nos curandeiros dos povos indígenas, apenas para ficar nesses exemplos, onde a música sempre esteve presente para curar os doentes.

Durante a Primeira Guerra Mundial, os hospitais dos Estados Unidos contrataram músicos profissionais para, após comprovar o efeito relaxante e sedativo nos doentes de guerra, proporcionar todo o auxílio produzido pela audição musical. No entanto, somente perto da segunda metade do século XX, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), devido à grande quantidade de soldados feridos e de inúmeros traumas jamais vistos antes, houve um começo efetivo da utilização científica da música, dando origem à Musicoterapia. Começou a se formar uma estrutura mais organizada na utilização da música na reabilitação e recuperação dos soldados feridos, o que acabou demandando equipes para o estudo dos efeitos terapêuticos da música, de como e por que motivo estes foram alcançados.

A verdade é que a música repercute no nível de vários hormônios, inclusive, o cortisol (responsável pela excitação e pelo estresse), a testosterona (responsável pela agressividade e pela excitação), a oxcitocina (responsável pelo carinho), as endorfinas e a serotonina (neutransmissor que faz a comunicação entre os neurônios). 

O treinamento musical favorece ainda o desenvolvimento cognitivo, a atenção, a memória e a agilidade motora, criando uma experiência de unidade entre linguagem, música e movimento.

A música trabalha simultaneamente os dois hemisférios cerebrais, promovendo o equilíbrio entre o pensar, o sentir e o agir. O som estimula a emoção; a melodia incentiva a comunicação verbal, amplia o racional e a inteligência, sendo que o ritmo melhora a coordenação motora. Sempre existe uma música mais adequada para cada situação. A alquimia originada pela música proporciona relaxamento, alivia tensões, conduz ao aprendizado, garantindo um despertar e uma estruturação interna que permitem ao indivíduo evoluir em sua busca da melhoria da qualidade de vida.
A Musicoterapia é indicada a pessoas de todas as idades e em qualquer condição física, mental ou social, que queiram ter uma vida mais feliz, ou necessitem melhorar os sintomas de diferentes tipos de enfermidades. É utilizada para quem está estressado, excitado, para quem tem problemas de comportamento, para os depressivos, para as grávidas, para os ansiosos, para quem precisa melhorar o aprendizado e a comunicação verbal.

No entanto, uma das mais fascinantes utilizações da musicoterapia é para pacientes com fortes deficiências físicas e mentais, como aqueles com diagnóstico de paralisia cerebral e/ou com Síndrome de Down. Para esses pacientes, a musicoterapia tem feito verdadeiros milagres, ajudando na melhoria da expressão verbal, na coordenação motora, no equilíbrio emocional e na inserção social desses indivíduos. Enfim, melhorando a qualidade de vida do paciente e de seus familiares.
Pode-se afirmar que a musicoterapia conduz os pacientes com paralisia cerebral e/ou com Síndrome de Down a um aprendizado, uma mobilização e organização internas, resgatando suas habilidades funcionais, ao mesmo tempo em que permite que evoluam em busca da sua identidade, muitas vezes, perdida.

Clique neste link e assista breve vídeo de Atendimento de Musicoterapia. Paciente com Diagnóstico de paralisia cerebral

Estudo de Caso
Jonas tem 11 anos, desde o nascimento foi diagnosticado com Síndrome de Down. Apresentava sinais de déficit de atenção, pouca capacidade de articulação, dificuldade para expressar o pensamento e, às vezes, tinha um pouco de agressividade.

O tempo de tratamento musicoterapêutico durou cerca de 2 anos. Um dos principais objetivos traçados para Jonas desde que iniciou o tratamento musicoterapêutico foi trabalhar o vínculo paciente-terapeuta, o resgate de sua identidade pessoal, os limites e a organização através da música. 

Para tanto, foram utilizados instrumentos musicais adequados especificamente para as necessidades do paciente, trabalhando o ritmo musical, a imitação, a fala e a coordenação motora.
Após todo esse tratamento musicoterapêutico, Jonas está mais calmo, obediente, responsável, organizado e maduro. Ele ajuda a arrumar as coisas em sua casa, está mais organizado em geral, já tira sua roupa, dobrando-a direitinho e a coloca no lugar certo. Nesse aspecto, o tratamento musicoterapêutico surtiu efeito, pois ele foi trazido à realidade, para que aos poucos pudesse ganhar confiança e desenvolver uma interação familiar e adquirir uma melhor inserção social.

Foi muito gratificante e maravilhosa a experiência que tive com este paciente, não só pelos benefícios de aprendizado proporcionados, mas também e mais importante, pelos resultados alcançados por Jonas, ajudando-o a resolver um problema concreto por sérias dificuldades de qualidade de vida.


* Musicoterapeuta, com Graduação e Pós-Graduação em musicoterapia pela FMU. Desde 2006 estudando o efeito da música nas pessoas e trabalhando individualmente ou em grupo com pessoas de todas as idades e em qualquer condição física, mental ou social. Cel. (11) 98271-0778

Fonte: Clube Stum

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